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segunda-feira, 26 de maio de 2014

Capítulo 17 - Distância

-Você vai o quê? - perguntei sem acreditar.
- Vou me mudar para São Paulo em 3 meses.
- Por que você?
- Porque o Fernando,  meu sócio,  não entende de maquinário.  Ele é da parte administrativa.
- Uau!
- Mas, calma,  só daqui há uns meses. Você vai ter que me aguentar por mais um tempo.
Ainda assim, eu não estava satisfeita. Era como se tivessem me tomado um presente.
- E você sabe quanto tempo vai passar lá?
- Não menos que 3 anos. Mas não direto. Vou intercalar com o Fernando, pra gente acompanhar todo o andamento.
- E a escola?
- Já está no final do ano letivo.  Vou só conversar lá para explicar a saída e indicar alguém.
- Você já tem?
- Sim. Tenho uma amiga da academia. Ela é professora. Mas não vamos pensar no futuro. Vamos aproveitar o presente: este delicioso almoço e a perfeita companhia.
- Ok.
Depois disso, esqueci da mudança e voltamos aquele clima gostoso.  Almoçamos.  De lá,  fomos para um lindo parque arborizado. Sentamos debaixo de uma das árvores.
- Quer um sorvete? - ele ofereceu ao avistar a carrocinha.
- Não,  obrigada.  Fique a vontade.
- Ah, não.  Sozinho não gosto.
- Você não vai comer por minha causa?!
- Sinta-se ocupada.
- Está bem. Peça 1 para nós dois. Eu dou uma provadinha e você sacia sua vontade.
- Ok.
Ele pediu e tomamos juntos. Conversamos. Rimos, que a hora passou e nen percebemos.
Quando vi a hora...
- É melhor voltarmos para casa. Amanhã meu expediente começa logo cedo. Você se importa?
- Claro que não.  Você não iria me abandonar aqui sem carona, não é?! - ele disse, rindo. - Estou brincando.
- Me ensina onde é sua casa, que não te abandono em qualquer lugar. - brinquei.
- Não tem perigo - ele piscou pra mim.
A caminho do carro, ele pegou na minha mão e entrelaçou seus dedos aos meus. Fomos de mãos dadas até o carro. De longe, destravei o carro. Ele soltou a minha mão e foi em outra direção. Continuei caminhando. Não sabia se continuava o esperando ali fora ou se já entrava no carro.
Quando ia abrindo a porta para entrar, o vi voltando, com uma das mãos para trás e a outra no bolso. Fiquei ali em pé, olhando por cima do teto do carro. Ele entrou no carro. Então,  entrei. Quando entrei, ele estava com as mãos livres. Cheguei a pensar que ele me daria uma flor, mas, foram só pensamentos. Ele foi explicando o caminho de casa, até que chegamos.
- Entregue, moço.  - falei.
- Muito obrigado. Vou pegar a minha bagagem.
Abri a mala. Ele saiu do carro. Saí também para me despedir. Ele pegou a mala e veio ao meu encontro.
- Vamos entrar?
- Hoje não dá mesmo.  Amanhã levanto cedo.
- Ok. Pra você - ele me disse, me entregando uma flor.
- Ah, que linda. Obrigada.
- Verdadeira e natural, assim como você - ele disse piscando para mim.
- Obrigada. - respondi, me sentindo vermelha. E o abracei. Ele retribuiu. Nos afastamos. Entrei no carro.
- Até amanhã? - ele perguntou.
- Até!  - respondi.
Ele pegou a minha mão do volante, deu um beijo e a colocou no lugar.  Liguei o carro.
- Vai em paz. - ele disse, se afastando do carro.
- Fique com ela. - respondi.
Com 20 minutos, cheguei em casa. Ao descer do carro, recebi uma mensagem: "Não esquece de olhar a mala." Fui verificar.  Quando abri, não acreditei no que vi.

Capítulo 16 - Quase

Mas alguém buzinou, querendo a vaga e quebrando o clima.
Ele, com a mão por cima da minha solrou o freio e disse: "Vamos, antes que alguém tome a vaga a força". Eu ri.
Fiquei sem graça de falar alguma coisa depois daquilo. Mas, ainda bem, ele é esperto demais.
"Então,  com que frequência vocês almoçam em família?"
"De 15 em 15 dias. Não religiosamente, mas sempre que dá. "
E fomos conversando até chegarmos no restaurante.
"Esse é novo?" - perguntou.
"Reformado. Foi reinaugurado ontem."
"Ah, estou lembrando.  Conheço. "
"Imaginei que sim. Por isso te trouxe. Não ia arriscar te levar pra um lugar desconhecido, com você morrenfo de fome." Ele riu.
Descemos do carro e entramos no restaurante. Falei com a moça da reserva e fomos encaminhados à nossa mesa.
O garçom nos deu o cardápio.
"Você escolhe e eu pago." - ele disse.
"Fui eu quem te trouxe. Eu pago." - respondi.
"Mas você atendeu meu convite de ontem e encerro o assunto."
Olhei pra ele com uma sombrancelha levantada e voltei ao cardápio.  O garçom, para ajudar, sugeriu o mais pedido. Pedimos também.
"E você traz uma jarra de suco de abacaxi com hortelã junto com o almoço.  Pra agora, 2 garrafas de água sem gás."
"Mais alguma coisa?"
"Não"
"Com licença" - e o garçom se retirou.
"Ah, está vendo?! Pedi tudo."
"E quem disse que eu achei ruim? Temos gostos parecidos."
"Muito importante isso!" - ele respondeu.
A água chegou.
"Quero brindar, com água mesmo." - ele falou já com o copo na mão.
"A que?"
"A nós."  - respondeu.
"Cheers"
"Cheers" - respondi, tocando meu copo no dele.
"E para comemorar o negócio que fechei ontem." - ele falou.
"O que foi?"
"Vamos abrir uma filial da academia em São Paulo."
"Que bom!" - falei erguendo a taça e tomando mais um gole.
"Vou me mudar para lá em pouco tempo." - ele falou.
Quase me engasguei.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Capítulo 15 - Inesperado

O pessoal de casa foi almoçar com amigos. E eu fiquei. Me arrumei e saí.  Cheguei no aeroporto às 12:55hs. Fui logo para o portão de desembarque esperar. Vestia uma calça branca skinny com estampa de florzinhas e uma blusa rosa leve, dem mangas, com o colo em renda. No cabelo, fiz uma trança lateral e calçava meu oxford nude.
O vôo não atrasou.  Nem ele demorou pra sair. Estava um gato! Jeans, camiseta gola "v" amarela clara, mocassim e óculos aviador. Empurrando o carrinho com uma pequena mala e uma pasta.
Quando me viu, abriu um lindo sorriso (o que chamou atenção). Veio ao meu encontro e me deu um longo abraço,  o que foi o suficiente para as mulheres dali perderem as esperanças.  E ele estava muito cheiroso.
"Que bom que você veio!" - disse ele quando me largou.
"Pois é,  captei sua indireta diretamente para mim." - respondi rindo.
"E o almoço? "
"Não é sempre. Omiti o resto da informação. Não ia estragar a surpresa, não é?! Então, vamos almoçar?"
"Estou com fome, confesso."
"Hoje, a indicação do lugar será minha."
"Ok. Confio totalmente."
E fomos conversando, caminhando até o carro.
"E eu vou dirigindo. Ah-ra"
"Para onde a senhorita vai me levar?"
"Surprise!"
"Oh, okay. I don't have a problem".
"Poderia te levar para a América com essa conversa."
"E eu iria feliz da vida."
Paramos no meu carro. Abri a mala e ele guardou a bagagem. Entramos  no carro.
Quando liguei o carro, que ia soltar o frio de mão,  ele colocou a mão sobre a minha. Permaneci com a outra mão no volante, mas olhando pra ele. Pôs a outra mão no meu pescoço e foi aproximando o rosto, olhando em meus olhos e minha boca.

terça-feira, 11 de março de 2014

Capítulo 14 - Ansiedade e caracteres

Meu coração acelerou. Já ia responder ansiosamente que também estava vendo filme, quando parei. "Calma!" - falei comigo mesmo. "Vou demorar a responder". "Droga!" - falei alto,  sem querer. Ele já tinha visto que a mensagem foi visualizada. "Que bom!" - coloquei. Aí, completei: "Agora é descansar. Que filme?"
Ele respondeu: "Sem limites. Já assisti, mas era o melhor dentre as opções. Rs' "
"Também já assisti. Gostei. Eu estava vendo..." - corri para a sala pra ver o nome do filme - "... A supremacia Bournie".
"Eu gostei dessa sequência.  Pena que não tinha esse aqui."
"Eu preferia o que você está assistindo"
"Eu preferia você aqui."
Gelei com a resposta dele. E continuou: "Ou estar aí.  Tanto faz. Só queria estar com você agora"
"Estarei aqui quando você voltar"
"Muito bom saber disso"
"Resolva aí tudo o que precisar"
"Resolvi.  Volto amanhã."
"Que bom!" - me limitei a escrever,  quando na verdade sorria sem parar. Coloqueu várias exclamações,  mas tirei.
"Meu vôo chega às 13hs."
"Que indireta!  kkkkkkk"
" kkkk Quer almoçar comigo?"
"Você não tem família,  não?  Eles devem estar com saudades de você. "
"Do jeito que você fala parece que passei 10 anos fora. Jantarei com eles."
"Ok, então.... Na verdade, não. "
"O que foi?"
"Almoçamos em família aos domingos. Sabe, é o único dia que estão todos juntos"
"Ah, ok. Fica para a próxima."
"Chegou visita aqui. Tenho que ir. Uma boa viagem de volta e uma boa noite."

quarta-feira, 5 de março de 2014

Capítulo 13 - Instinto



Não sei por quanto tempo cochilei, só sei que acordei de súbito procurando o celular. Não tinha nova mensagem. Só o meu rascunho a ser enviado. Excluí e me levantei. Tomei um banho sem demoras.  Ao sair do banheiro, vi em cima da minha mesa um DVD, um filme que eu tinha alugado na quinta-feira. Peguei e fui pra sala. Coloquei o DVD e quando estava no menu, resolvi fazer pipoca. De microondas mesmo. Voltei pra sala.

- Nossa, onde eu estava com a cabeça quando peguei um filme desses? - me perguntei.

Filmes de guerra nunca foram meu forte. Ah, lembrei! Peguei o primeiro filme que vi depois do acontecido. O acontecido.

É. Foi o seguinte: entrei numa locadora para garantir a mente ocupada caso amarelasse na sexta-feira, se eu não fosse para o jantar. Ao entrar, não tinha percebido que o Gustavo também estava lá. Comecei a procurar filmes, quando o vi, ainda que de costas. Pensei em fugir, mas poderiam ir atrás de mim achando que eu tinha levado alguma coisa. Comecei a controlar a respiração, para manter o controle e não chamar atenção. Peguei o primeiro filme ao meu alcance e fui para o caixa, que estava vazio, para o meu alívio.

O filme já havia começado quando voltei das minhas lembranças. E com o pote de pipoca.
Escutei o sinal de mensagem no celular.
- Deve ser a Letícia - pensei.
Outro sinal. Não me contive e me levantei. Fui ao quarto pegar o celular. Quando vi, 2 mensagens dele! Do Rodrigo!

"Oi, a viagem foi boa e a reunião tambpem. Agora descansar. Tô vendo um filme no quarto do hotel, e vc?"

Capítulo 12- Verdades



E ele não estava lá. Claro! Passei devagar com o carro. Não saltaria do carro, pra que alguém conhecido dele me visse, afinal, ele estava direto lá. Fui pra casa.

Ao chegar, fui direto pegar minha garrafinha na geladeira. Lá estava o bilhete da minha mãe dizendo que tinham ído pra casa da minha tia (por parte de pai).
- Ótimo! - murmurei.

Fui pra o meu quarto e me joguei na cama. Agora consegueria colocar minhas ideias em ordem, sozinha em casa. Perfeito!

Ali, comecei a lembrar da noite anterior, do Rodrigo ao meu lado me ajudando a passar a noite mais temida dos últimos tempos, exatamente desde que chegou o convite. Era verdade que eu não gostava mais do Gustavo. Era verdade que não havia possibilidade disso acontecer novamente. Como ainda era verdade que a ferida estava aberta em mim e a possibilidade de um convívio tranquilo ainda era distante. 
Se não fosse o Rodrigo ali comigo, teria passado a noite fugindo dele. Até mesmo de cara feia, fazendo a patética.

Era verdade que eu não estava usando o Rodrigo para fugir dos meus pesadelos. Era verdade que eu estava muito feliz por tê-lo conhecido. E era bem verdade que eu estava aberta à novas pessoas, mas, sei lá, depois do Rodrigo, não sei se estava tão aberta assim. 

- Rodrigo, Rodrigo - murmurei. 

Levantei e peguei o celular dentro da bolsa que estava jogada no chão. Digitei uma mensagem, mas não enviei. Duvidei.

- Calma, Amanhda, não haja por impulso - falei pra mim mesma. 
Ainda me repeti isso umas 4 vezes. É... vontade era grande.

Capítulo 11 - Almoço amigo




Interessante, que o tempo que namorei com o Gustavo, nunca almoçamos juntos no shopping. Ele nunca gostou e eu nunca insisti, aproveitei para preservar esse lugar como "dasamiga". Da Letícia, especificamente. Esse shopping, em particular era nosso. Onde nos conhecemos. Onde nos tornamos amigas.

Seria surpreendente se ela não chegasse pontualmente num local. Eram 12:15 pm e ela já estava lá. 

- Perdão, me atrasei! - falei, cumprimentando-a com os beijinhos e abraços de sempre.
- Sem problemas; sabia que não levaria 'bolo'. Vamos fazer logo os nossos pratos porque já está enchendo.
E fomos para a fila.
- Onde você descobriu aquele príncipe - ela logo pergunto. A Letícia nunca dava rodeios.
"O príncipe para uma princesa", pensei. 
- Na praia. - limitei minha resposta.
- Do nada?
- Do nada. Estava caminhando e ele veio me conhecer.
- Você foi reabastecer as energias e pesca um peixão daqueles?! 
Ela me conhecia. Sabia que minhas ídas à praia para caminhar eram pra me dar coragem para fazer coisas difíceis. E ela sabia também sabia o motivo de eu ir naquele dia: rever seu irmão.
- Pra você ver! - eu ri.

Enquanto preparávamos nossos pratos, ela continuou perguntando sobre o Rodrigo. E eu respondia. Não corria risco do Gustavo ficar sabendo. Disso eu tinha certeza. Na minha vida, o Gustavo foi uma coisa, já a nossa amizade, foi outra. Ainda bem.

Depois de contar como o Rodrigo foi parar na casa dela, finalmente comecei a almoar. E o assunto mudou.

- Amanda, quero que você seja minha madrinha.
Sorri.
- Que lindo! -  respondi.
- Vai me dizer que não saboa? - retrucou Letícia.
- Sabia sim, só não sabia como seria e que seria hoje, mas a minha resposta é sim, sim e sim.
- Que bom! Vou fingir que estou surpreendida por esta resposta - ela falou sorrindo. Eu ri junto.
- Outra coisa, Amanda, o acompanhante fica por sua conta. - falou, piscando o olho pra mim.
- Oh, sim. Ok.
-Convida o Rodrigo pra sair hoje, num programinha à quatro. A gente vai naquele "japa" lá perto de casa.
- Ele está em São Paulo. Negócios.
- Achei que ele fosse personal trainner, não um executivo.
- Ele tem uma academia. Mas, enfim, não tem como saírmos hoje.
- E vocês já se falaram hoje?
- Sim, mais cedo, quando me falou da viagem.
- Será que ele já chegou? perguntou Letícia.
- Estou me perguntando isso há um tempinho. Te confesso que achei que ele fosse me avisar.
- O pouco que percebi dele, ele não vai fazer isso. Ele é inteligente. Vai te deixar esperando.
- Iiii, lá vem o momento análise. Letícia, psicologia agora não! - falei.
- Amiga, são homens. E pra sua sorte, esse é inteligente - a Letícia piscou mais uma vez - e vamos fechar a conta, que tenho que sair com mamãe.

Pagamos e nos despedimos ali na praça de alimentação mesmo, e fomos para nossos carros, que estavam em estacionamentos diferentes. Minha mente estava no Rodrigo até passar numa loja masculina, e ver na vitrine a camisa que o Gustavo usava na noite anterior. Pra mim seria tão mais fácil se ele tivesse solteiro. Não que fôssemos voltar, mas não me sentiria tão 'humilhada'. 

Na volta pra casa, não resisti e passei na praia onde conheci o Rodrigo. Vai que de repente...

Capítulo 10 - Torpedo



"O que deu em vocês? Saíram sem se despedir! Te espero amanhã pra almoçar no mesmo lugar de sempre, às 12hs. Bjo, Letícia."

- Ok, Letícia, só me deixa dormir - balbuciei e apaguei. Dormi até às 10, quando o celular vibrou novamente. Uma só vez. Procurei só com uma mão na mesinha de apoio até que o achei. Uma mensagem. Realmente despertei. Achei que poderia ser o Rodrigo. "Não, esquece: 12hs" 
- Ah, Letícia, deixa de ser chata. - murmurei. Depois ri com o que tinha acabado de dizer. Ainda estava com sonoe continuava deitada. O celular vibrou de novo. 
- Aff, já sei, Letícia - falei, antes de olhar. Era outra mensagem: "Bom dia".
Sorri e respondi: "Agora sim, está bem!"
Claro que tinha respondido pra mim mesma, mas na mensagem coloquei: "Um lindo dia no reino encantado. kkkk".
E assim, fomos conversando por texto.
"Achou meu cartãozinho..." 
"Dormiu bem?"
"Sim, e vc?"
"Tbm, ainda estou deitado."
"Eu tbm."
"Jajá tenho que me aprontar. Viajo às 12.30hs"
"Viajar?"
"É!"
"E posso perguntar pra onde?"
"Sampa."
"E volta quando?"
"Segunda, bem cedinho. Tenho umas reuniões de trabalho e o único horário livre era no final de semana"
"Hmm, trabalhar..."
"É, nunca perdendo oportunidades"
"E tenho um almoço com a Letícia, que me perturba desde a madrugada. kkkk"
"Essas mulheres curiosas"
"Não mesmo, mas tenho que compensar a saidinha de ontem"
"Ela vai pra tua casa?"
"Não, vamos nos encontrar num restaurante, no shopping que a gente sempre almoçava quando trabalhávamos juntas"
"Trabalhavam em que?"
"Atentende num call center, que funcionava no shopping. Eu fui promovida, e ela estava chegando. Foi atendente na minha primeira equipe"
"Vc foi chefe dela?"
"Sim, quando éramos da mesma equipe. Mas nos dávamos tão bem, que viramos amigas."
Temia em ele perguntar algo sobre o Gustavo, ou fazr algum comentário.
"Eu preciso ir agora, me organizar"
"Ok. Boa viagem e que suas reuniões sejam produtivas"
"Torça por mim. E não me esquece. Segunda tô de volta."
"ok, ok, nem vc"
"Impossible. Bjs, princesa"
"bjos"

Não conseguia entender como tinha ficado triste ao saber que ficaria aquele final de semana sem vê-lo. "Reunião em pleno sábado? Será que é verdade? Estranho" - minha mente fervilhando.
Quando me dei conta, eram 11:30hs. Dei um pulo da cama e corri pra me arrumar.

Capítulo 9 - Nas nuvens



Entrei fazendo o mínimo de barulho possível. Passei na cozinha, peguei minha garrafinha de água na geladeira e fui para o meu quarto. Tomei uns goles e comeceu a me desfazer. Tirei as sandálias, o vestido, prendi o cabelo e fui pra o banheiro. No chuveiro mesmo tirei a maquiagem. Coloquei meu pijama, escovei os dentes e me sentei na cama.

- É, quem sabe - murmurei.

Continuei tomando minha água. Lembrei que era sábado, então, podia acordar mais tarde. Fechei as cortinas e caí na cama. A única luz no meu quarto agora era o abajur. Me sentia relaxada, porém sem sono. Ainda estava sem acreditar no que vivenciara só naquele dia. Meu sorriso se transformou em preocupação.
"Será que é mentira?". "Tá tudo muito bonitinho pra ser confiável".
Minha mente foi bombardeada com esses pensamentos. Não aguentei, levantei, dobrei meus joelhos e disse:

"Meu amigo, quem será aquela pessoa que conheci hoje? Não me deixe sem resposta. Agora estou aflita e te peço que me proteja. Amém".

Quando me sinto confusa, procuro meu melhor amigo para conversar. Aprendi com minha avó. E sempre dá certo, porque não fico sem resposta. Gosto de conversar olhando para o mar. Me sinto mais próximo do céu quando vejo o horizonte. Quando não posso sair, procuro um lugar em que eu possa me concentrar.

Levantei e deitei. Agora me sentia pesada. Meus olhos foram fechando até que apaguei.

Dormi até o celular sinalizar uma mensagem.

Capítulo 8 - O sonho



- Obrigada! - Eu disse ao garçom após ele me servir.
- "Com licença", disse o garçom se retirando.
- Hm, parece apetitosa. - disse Rodrigo.
- É. - respondi.
E quando ia dar a primeira garfada, fui interrompida com: "Vamos brindar?!". Pus meu garfo na mesa e peguei minha taça.
- Ao que? - perguntei.
- À nós.
- Tim-tim! - falamos juntos, tocando as taças. Tomamos um gole.
- Agora vamos comer, que estou morrendo de fome. - brincou Rodrigo. Sorri.

As horas se passaram calmamente. Conversamos tanto, que parecia que a noite não tinha fim. E nenhum dos dois queria que tivesse. Rodrigo pagou a conta e fomos para o carro. Ele abriu a porta para mim. Entrei e ele deu a volta. Quando pegou no volante, pus minha mão sobre a dele.
- Obrigada. - falei, olhando nos olhos dele. Realmente me sentia agradecia pela noite agradável que ele havia me proporcionado. A noite que eu tanto temia se transformou numa leve pena que, no final, ainda fez "cosquinha".
- Tudo tem seu preço. - respondeu.
- E qual é?
- Quero que você saia de novo comigo.
Sorri, e balbuciei "ok".
Permanecemos nos olhando nos olhos até que eu disse: "Me deixa em casa?".
Ele balançou a cabeça que sim, como quem acabara de lembrar de algo. Pra quebrar o silêncio, comecei:
- Então, me explica a história do tênis vermelho.
Ele deu uma risada gostosa.
- Você não esqueceu?!
- Claro que não!
- Ok. Eu lembro de um sonho que tive por diversas vezes. Uma garota com uma farda de colégio, com uma mochila rosa, com vários buttons. Essa garota carregava um caderno, que tinha um tênis desenhado no papelão que restara da capa, e que era pintado de caneta vermelha.
- É! A caneta vermelha tinha que acabar proporcional às outras! Mas... Espera! Como você sonhou com o meu caderno?
- Aaaahhh! Você quer saber demais! Deixo para o próximo capítulo. Acabamos de chegar no seu prédio.
- Ah, não! Você tem que me contar!
- Ah, sim! Preciso de uma certeza que te verei novamente!
- Minha palavra não te basta?
- Garantias nunca são demais!
- Ok. Mais uma vez, muito obrigada.
- Eu que agradeço.
Trocamos dois beijinhos no rosto. Quando fiz que ia sair, ele disse: "Espera!". Saiu, e abriu a porta para mim. Beijou a minha mão e ficou me olhando entrar no prédio. Entrou no carro e foi embora.
- Boa noite! - cumprimentei o porteiro.
- Boa noite, dona Amanda - respondeu. Ainda bem que o elevador estava no térreo. Não precisei esperar. Apertei o botão do meu andar e já fui procurando as chaves do apartamento. Vasculhando a bolsa, achei um cartãozinho. Curiosa, logo abri e tinha escrito: "Uma boa noite para a mais linda das princesas" Não conseguia lembrar o momento que isso tinha sido colocado ali. Me surpreendeu! Sorri. O elevador parou. Meu andar chegou.

Capítulo 7 - Novos encontros



- Nossa, como a hora voou! - comentei.
- Algum problema? - Rodrigo perguntou.
- Não, não. Deixa eu só avisar à minha mãe que está tudo bem.
- Aquela mesa estã bom para você? - perguntou ele, olhando em direção à uma mesa próximo à janela.
Balancei a cabeça que sim..
- Oi, mãe. Tá. Tudo tranquilo. Em casa conversamos. Beijo, Tchau. - falei no celular enquanto nos dirigíamos à mesa. Ao sentármos, ele perguntou: - Nem parecia uma conversa com mãe. A minha pede relatórios.
- É. A minha era assim. Mas conversamos e adotamos esse método. Desde a minha adolescência. - respondi.
- Que bacana! 
- O que vocês vão querer? - perguntou o garçom.
- Pizza margherita? - ele perguntou pra mim, novamente. E balancei a cabeça que sim. 
- Uma pizza margherita - Rodrigo falou para o garçom.
- E para beber? - perguntou o garçom.
- Tem Coca-cola Zero? - perguntei ao Rodrigo.
- Sim, tem. - respondeu ele, já pedindo ao garçom - E duas latas de Coca Cola Zero.
- Sim, senhor. - respondeu o garçom. - Mais alguma coisa?
- Sim, uma água mineral, sem gás, por favor. Você traz agora e deixa pra trazer o refrigerante junto com a pizza.
- Ok, senhor.
- Demora quanto tempo? - perguntei ao garçom.
- Uns 40 minutos. -  ele respondeu.
- Obrigada. - falei.
- Com licença. - falou o garçom e se retirou.
- Você vem sempre aqui? - reiniciei a conversa com o Rodrigo.
- Houve uma época que sim, mas ultimamente, não.
- Com sua namorada? - perguntei, como quem não quer nada.
- Era. Ela não curtia conhecer outros lugares, aí quando a gente saía, ela só queria vir aqui. E por falar nela...
- Jura? - me surpreendi. - Onde?
- Entrando agora, com a irmã e seus atuais namorados. 
Estava morta de curiosidade, mas não olhei.
- É, parece que ela não mudou muito. Ainda prefere vir aqui. - falei, tentando ser engraçada. Ele sorriu educadamente. - Lá vem a água. 
- Oba! Estou morrendo de sede.
- Líquido dos deuses.
O garçom que estava nos servindo riu com meu comentário.
- Obrigado. - disse o Rodrigo ao garçom. - Não há melhor! - completou ele, quando o garçom se retirou.
Olhava para o Rodrigo relembrando de tudo o que passou até estarmos sentados ali.
- O que foi? - ele perguntou?
- Você não é vidente? - brinquei.
- Até as 22 p.m. - ele retribuiu.
Ele colocou o braço por cima da mesa e, com os dedos, pediu a minha mãos. Coloquei a minha mão na dele. Senti seu polegar macio me acariciando, enquanto me encarava. Meu coração gelou. Até então, me sentia com um amigo, e agora caíra a ficha do nosso "encontro".
- Você é linda. - falou o Rodrigo, quebrando o silêncio.
- Obrigada. - respondi, timidamente.
- Por dentro e por fora - ele continuou.
- Achei que sua sessão vidente tinha acabado. - brinquei pra esconder o nervosismo.
- É que estou relembrando tudo sobre você. - ele falou.
- Você tem resposta pra tudo! - eu ri. - Você é um barato!
- É sério! Eu conheço você. -  falou.
- Ah, tá. Acredito! - respondi.
- Se você não acredita, então... - ele falou, em tom misterioso.
- De onde? Eu não te conheço antes de hoje. - falei.
- Mas eu sim. Você era a garota dos meus sonhos.
Eu ri e falei sem pensar: - Só sonhando mesmo.
- Bem, desde os tempos da calça azul e camisa branca. E um tênis vermelho que você mesmo desenhara.
- Como é? - fiquei curiosíssima. Lembrei de um caderno que eu tenho, com um tênis desenhado. - De onde você me conhece?
A pizza chega.

Capítulo 6 - Inevitável



Quando meu olhar se cruzou com o do Gustavo, foi como uma autorização para que ele viesse falar comigo. Imediatamente, ele se levantou e veio em minha direção. 
- Não sai daqui - murmurei para o Rodrigo.
- Pode deixar - ele respondeu no mesmo tom.
- Oi, Amanda. Que bom que você veio!
- Oi. - respondi sem muito entusiasmo - A festa está linda, não ?! - dei um meio sorriso para o Rodrigo.
- E você está... - antes que ele pudesse terminar, um agudo o interrompeu: "-Gúúúúúú, fotos!"
- Com licença, tenho que ir. Mas, pelo visto, você está muito bem.
- Tenha certeza que sim.
E ele se afastou, sumindo na multidão.
- Pensou que seria pior, não foi? - perguntou Rodrigo.
- Estou começando a ficar assustada. Dá pra parar de ler a minha mente? - eu ri, descontraindo. Ele também riu.
- Pela movimentação, acho que o jantar está servido. Que tal uma pizza? - sugeri.
- Agora!
E saímos à francesa.
Assim que passei o portão, suspirei aliviada. 
- Para o "La massa"?! - perguntou ele.
- Com certeza! - concordei, querendo passar mais tempo com aquela companhia tão agradável.
- Então, Dona Amanda - disse ele, abrindo a porta do carro para que eu entrasse.- Poderemos, enfim, conversar sem tensão agora, não é?!
- Oh, sim. - respondi quando ele entrou no carro - Muito obrigada pela companhia de hoje, viu?!
- De nada. Contanto que não seja a primeira e última - falou.
- Claro que não. Acho que nos daremos bem. - respondi tocando nos ombros dele.
Ele beijou a minha mão e disse: - "Tomara que até demais".
Devo ter ficado vermelha. Senti meu rosto esquentando. Não sabia se deixava ou tirava a mão. Mas, para minha sorte, o celular vibrou. Então, tirei pra que eu pudesse pegar dentro da bolsa.
- Uma chamada da Letícia. Ela deu por nossa falta. 
- Justifique a ela dizendo que eu te sequestrei - ele falou, rindo.
- Quando tem consentimento é sequestro? - brinquei.
- Não sei, fiz Educação Física, não Direito.
Rimos.
- Posso colocar uma música? - perguntou.
- Claro!
- Gosta de Colbie Caillat? 
- Sim. Apesar de não saber nenhuma música decorada, nem acompanhar o trabalho dela. 
Começou a tocar: "It's always been about me myself and I". (Música: I do) Paramos de conversar para ouvir a linda música. Ouvimos outra e outra, até que chegamos na pizzaria.
- Até que não está cheia. - comentei enquanto ele estacionava.
- É, talvez pela hora - ele respondeu.
Só aí que me toquei na hora. 21.57 p.m.

Capítulo 5 - O jantar



Pela quantidade de carros estacionados na rua, percebi que tinha muita gente; afinal, eles conheciam muita gente. Assim que entramos, avistei a Letícia, que me viu e veio logo ao meu encontro com um enorme sorriso.
- Que bom que você veio!
- Não faltaria, né?! Deixa eu te apresentar, este é o Rodrigo.
- Prazer - ele disse, cumprimentando-a com a mão.
- Prazer - ela respondeu. - Seja bem-vindo e sintam-se a vontade. Mesa não tem mais, mas tem lugar na bancada ali no bar. 
- Ok, obrigada.- falei. - Você está linda! 
- Ah, obrigada! Vindo de você é até suspeito! - rimos. - Você também está linda. Queria que você dormisse hoje aqui comigo. Tanta coisa pra te contar. Oh, que saudade - disse ela me abraçando bem forte.
- Eu sei que tem muita gente pra dar atenção. Vá lá. Sou de casa. Amanhã, eu dou um jeitinho de vir aqui. 
- Ok. Deixa eu ir atrás do meu noivo! - disse ela rindo, se afastando.
- Vamos sentar ali? - disse o Rodrigo apontando para um banco no jardim.
- Vamos!
- Bem simpática sua amiga. Ela deve estar cheia dos "babados", como dizem as mulheres.
Eu tive que rir.
- Não! Ela quer saber dos "babados", tipo, você. Quem é, o que faz, se a gente está saindo, há quanto tempo, etc etc etc
- Humm. Então, me estamos saindo, me fala mais de você. O que você faz atualmente?
Fomos servidos. Suco de abacaxi com hortelã. 
- Meu preferido. Então... - tomando já um gole - eu trabalho numa agência de publicidade. Sou formada em marketing e moro com meus pais.
- O que faz nas horas vagas?
- Livro e cinema. Quando não me refugio em algum spa. Adoro massagem. E você.
- Também gosto de massagem, mas não recebo com tanta frequencia. 
- Engraçadinho! Você entendeu - retruquei.
- Sou sócio e dou aula todos os dias numa academia, além de dar aula numa escola.
- Qual série?
- Todo o Ensino Médio. 
- Deve fazer sucesso entre as alunas - brinquei.
- Confesso que recebo cantadas, mas finjo que não entendi. Coisas de adolescente, sabe? Não quero problemas.
- Você está certíssimo. 
- Apesar de eu não ser tão famoso quanto você.
- Eu? - não tinha entendido o motivo do comentário.
- É! O tanto de pessoas que estavam nos olhando aqui. Se eu não fosse acostumado, teria ficado intimidado.
Ri. Me contive pra não soltar uma gargalhada.
- Nem percebi. - como de fato, não tinha percebido mesmo.
- Aham! Você não viu porque estava com medo de encontrar um "certo" olhar.
- Você é vidente?
- Não, mas é evidente isso. Não acredito como você não repara no movimento da festa.
- Ok. Dois à 1 pra você.
Ele riu.
- Mas acho que tem alguém que quer falar com você. - falou o Rodrigo, olhando numa direção.
- Quem? - perguntei olhando para onde ele estava olhando. 
Meu coração gelou: era o Gustavo

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Capítulo 4 - O caminho




Seis horas e dezenove minutos, o telefone toca.
- Alô?
- Vamos?
- Sim, sim. Onde você está?
- Aqui embaixo.
- Estou descendo.
Quando saí do prédio, lá estava ele, me esperando ao lado da porta do carona. Me controlei, mas por dentro gritava: "Seu lindo!". De calça social preta e camisa de botão verde, com mangas longas dobradas, ele estava um "homão".
Ao me aproximar, ele abriu a porta pra mim. Entrei. Ele fechou e deu a volta. Coloquei o cinto. Quando ele sentou ao meu lado, dentro do carro, foi que percebi os detalhes da camisa: risca de giz bege, no tecido de boa qualidade verde. De muito bom gosto.
- O jantar vai ser numa casa de muro de pedras alto e portões cinza? - perguntou ele, saindo com o carro.
- Isso! ... Mas... como você sabe?
- Google Maps. - respondeu, rindo.
- Oh, claro.
- Você está muito bonita.
- Obrigada! Você também.
- Obrigado. Mamãe me disse isso quando saí.
Eu ri.
- Você mora com sua mãe? - Resolvi  focar na conversa pra aliviar a tensão da festa.
- Sim. E mais um pai e uma irmã caçula. E você?
- Moro com meus pais. Tenho mais dois irmãos, mas não moram com a gente.
- Rebeldes? - ele perguntou brincando.
- Casados. Meu irmão mora em Roma e minha irmã no Canadá.
- Que bacana. É bom que tem lugar pra ir nas férias.
- Oh, sim! Já fui à Roma 1 vez, e 2 vezes no Canadá. A sua irmã tem quantos anos?
- 19. E agora resolveu namorar.
- Como assim "resolveu namorar"? Deixa ela curtir.
- Deixaria, mas acho o carinha lá muito esperto pra meu gosto.
- Ciumento!
- Chegamos!
Quando olhei a casa, meu coração gelou.
Enquanto ele estacionava, tentava equilibrar minha mente para as próximas horas. Ele saiu do carro e abriu a porta para mim.
- Dá-me seu braço.
Coloquei meu braço no dele e assim caminhamos até a entrada. Aquele gesto me fez bem: não me comprometeria e nem me sentiria sozinha.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Capítulo 3 - Cuidado de mãe



Você tem certeza que quer ir? A Letícia vai entender... - dizia minha mãe, sentada em minha cama, enquanto eu me arrumava.
Mamãe era incrivelmente linda; por dentro e por fora. Tinha excelentes hábitos alimentares, praticava caminhadas e era uma pessoa de fé, muita fé. Uma vaidade normal, como ela dizia.
Não, mãe, eu vou, sim. Até porque, tenho companhia.
Quem? Você não queria nem que eu fosse com você e agora tem companhia? - senti uma pontinha de ciúmes por parte da mamãe.
Um rapaz. - respondi despretensiosamente.
Que rapaz? Eu conheço?
Não.
E ele é de onde?
Da praia.
Filha, odeio quando você fica em poucas palavras, você sabe...
Ma-mãe, conheci um rapaz hoje quando fui caminhar – me sentei ao seu lado na cama, para calçar as sandálias.
E você já o chama pra sair assim? Tempos modernos!
Pois é, mãe – segurei nas mãos dela, e continuei – Resolvi unir o útil ao agradável. Ele ia me convidar pra sair, então o chamei pra me acompanhar no jantar.
É pra fazer ciúmes?
Claro que não – respondi, me levantando rapidamente – Mãe! Eu superei, mas parece que você ainda não acredita nisso! Não quero ser fraca em não ir ou ir “superprotegida com a mamãe”. Entendeu? – e me virei pra o espelho. Não queria ver a cara dela com essa minha resposta.
Ok, filha. Entendi.
De repente, me bateu um peso na consciência. Tentei explicá-la, olhando pelo espelho: - Me desculpe, mãe. Sei de suas intenções, mas, esse foi o ponto de equilíbrio que eu precisava.
Comecei a separar chaves, celular, porta-documento. Ela se levantou e veio ao meu encontro. Pegou em minhas mãos e disse: Tudo bem. Vá! E se for chegar tarde, me avise.
Não vou demorar.
Peguei minha clutch cor de bronze, que tinha estampa de jornal, dei um abraço apertado em mamãe e saí do quarto.  Ela veio atrás. Quando abri a porta do apartamento, ela disse:
Você está linda! – Ela disse, mandando um beijo no ar.
Te amo! – respondi, devolvendo o beijo.
Enquanto esperava o elevador, me olhava no espelho. Não me importei muito com aquele vestido de seda rosa queimado, que foi amor à primeira vista quando comprei. Tentava me concentrar na expressão que faria quando estivesse por lá, mas fui interrompida.

Capítulo 2 - Doce água




- Obrigada! – eu disse ao garçom que acabara de me servir um côco geladinho.
- O meu  docinho e o seu? – disse o moreno puxando assunto.

Provei  e fiz que ‘sim’ com a cabeça.

- Então, Amanda, você mora aqui perto?
- Não. Costumo estacionar ali e caminhar por aqui. O mar me faz bem.
- Nem posso ser cavalheiro e te oferecer uma carona. Você frustrou meus planos – disse ele, fingindo decepção.
- Desculpa! – respondi, rindo.
- Mas o côco é por minha conta, ok?!
- Ok! Faça a sua boa ação do dia – respondi, olhando o relógio.
- Rodrigo, preciso ir agora.
- Já?
- Já! Tenho um jantar às 18:30hs e preciso me arrumar.
- É impressão minha ou você não está muito afim de ir?
- Nossa?! Está tão na cara assim?
- Sou observador!
- Percebi!
- Mas o que tem de tão ruim assim? A comida não vai ser de graça? - tentando fazer humor pra disfarçar a curiosidade.
- Antes fosse! – suspirei.
- O negócio realmente é sério! Se não quiser falar a respeito...
- Não, não, tudo bem! Hoje é um jantar de noivado.
- Não me diga que você é a noiva?!
- Não! Minha cunhada. Na verdade, ex-cunhada.
- Hm!
- Eu ia ser testemunha do seu casamento, juntamente com o irmão dela, meu ex-namorado.
- Vocês terminaram há muito tempo?
- Meses.
- E você ainda gosta dele?
- Não. Ele me trocou por outra, tipo, na frente de todo mundo. Eu fiquei por ‘coitadinha’ na visão dos nossos amigos em comum. Estou tentando evitar eles, mas dessa vez não vai ter jeito.
- Por isso, você veio caminhar?
- Sim. Gosto de ver o mar antes de tomar decisões ou passar situações difíceis.
- Entendo. Por isso, comecei a surfar. O mar me liberta.
- Verdade.
- Bem, não quero te atrasar. Gostaria de te convidar pra sair comigo hoje, mas já que não dá pra você... Quem sabe outro dia.
- Ok. Irei sim.

Trocamos os números de telefone. Despedimos-nos e parti sozinha em direção ao meu carro. Ele ficou me olhando de lá da barraca.
Saí com o carro e quando parei no sinal, resolvi ligar pra ele.

- Amanda?
- Oi, Rodrigo!
O sinal abriu e coloquei no viva-voz.
- É... Então, o que você vai fazer hoje à noite?
- Não tenho nenhum compromisso. Acho que vou pegar um cinema.
- Gostaria de jantar comigo?
- Oi? Você desistiu de ir?
- Não, mas gostaria que você fosse comigo. Pode ser?
- Já é!

Passei meu endereço e combinamos um horário para ele me pegar na porta do meu prédio.

- Você pode deixar o carro no meu prédio e ir comigo.
- Vamos no meu carro!
- Você entra com o jantar e eu com a gasolina! – ele disse, rindo – Até já!
- Até.

Depois que desliguei, que eu me dei conta do que tinha feito. Agora era ver no que ia dar.

Volteeeei!